MAURÍCIA NEVES

"Hoje em dia, o quotidiano é a ode ao desespero. B é manipulada cruamente, sente-se a ir e a voltar. Não compreende a dor mas aceita-a. A é uma interrupção de B. B aceita-o, deixa-se interromper. Deixa-se corromper. Parecem íntegros um ao outro mas não são. Parecem atenciosos mas não são. Parece sexual mas não é. Aprendem o jogo um com o outro, transformando-se. Saturados com o quotidiano, com a repetição. A e B são mecanismos de defesa deles próprios e do que os rodeia. São jogos de poder. Eles colidem, remexemse. E o poder cai. Já não há poder, só revolta. B sempre manipulou A a manipula-la. A relação de A e B é superficialmente calorosa e profundamente fria.

 

A criação começou no momento que escrevi a palavra add no meu caderno. Daí seguiram-se outras palavras como: addition, addicted, wastage – adicionar, adição, viciado, desperdício. A ideia era questionar o que é realmente imprescindível às necessidades humanas; do que realmente vamos adicionando à nossa rotina e que não é necessário - não é uma necessidade básica. A primeira pergunta seria: “O que adquiriste como ser humano que não fazia parte dos teus princípios básicos ou essência?”

Sabia que neste trabalho queria usar uníssonos e ter uma qualidade muito especifica queria trazer algo ”fresco”.

 

A dramaturgia assentava imenso sobre: vontades opostas, supressão de vontades, procura de inserção, suporte, exposição do intimo, visceral, cuspir o intimo do outro transformando no dele próprio – cuspir a informação, bombardeamento de  informação, transbordar; tentativas de dialogar, tentar chegar, a saturação, o extremo, a humanidade, a tecnologia, unplug,resiliência, transcender, a dedicação do ser humano, o cheio, o transbordar. Aqueles dois corpos no espaço que no início não tinham hábitos, não tinham rotinas, não tinham vícios. Eram só corpos. Eram zero. ADD é o primeiro conceito a abordar de modo mais profundo. A e B representam num formato micro, o que uma comunidade representa num formato intermédio, o que uma sociedade representa num formato macro."

 

Maurícia Neves

Portimão, 1989

 

Aspirante a coreógrafa e performer, tem produzido as suas próprias criações, e ainda, responsável pela parte de figurinos e design de iluminação. Muda-se para Lisboa em 2007 onde começa a sua formação em artes circenses e ao mesmo tempo de teatro.

 

Mais tarde, ingressa na Escola Superior de Dança onde se dedica ao seu maior problema: o corpo. Desenvolve os seus primeiros trabalhos como criadora no Chapitô –(Des)encaixada e KITSCHCAMP – JUÍZO FINAL e, mais tarde, na ESD constrói uma trilogia de peças: uma instalação – This is not entertainment, uma faixa musical – This is not for sale e é um manifesto e uma peça de dança – This is not a love story. This is A and B. Em 2014 surge I’m not comfortable talking to you from up here, uma peça de dança de 15 minutos; em 2015, na Alemanha, concebe e apresenta uma performance instalação com duração de 5 horas – I can’t die because of Global Warming.

 

De regresso a Portugal, inicia um novo projecto WE WILL USE SMOKE MACHINES um projecto colaborativo entre 5 artistas de diferentes áreas artísticas. Teve formação com Amélia Bentes, Nuno Lucas, Victor Hugo Pontes, Margarida Mestre, Cristina Planas Leitão, Margarida Bettencourt, Gustavo Ciríaco, Alexandre Lyra Leite, Jácome Filipe, Silke Z. (Alemanha), Su Wen-Chi (Taiwan), John Mowat, Tiago Rodrigues, Miguel Moreira, Raquel Freire, Claudia Nóvoa e Bernardo Gama.Como intérprete trabalhou com Joris Lacoste, Margarida Mestre, Martim Pedroso, Alexandre Lyra Leite, RADAR 360, Miguel Moreira, Yvon Bayer, Bernardo Gama e Companhia La Fura Dels Baus. Tem apresentado as suas criações em Lisboa, Torres Vedras e Alemanha.

OBRAS

Veja o seu trabalho através dos links:

This is not a love story. This is A and B.

 

Créditos: Duck Production

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