SUSANA FIGUEIRA

As esculturas de Susana Figueira são como personagens saídas de um conto  até ao nosso encontro, que se podem palpar e que nos fazem duvidar se são realidade ou fantasia. Mas o seu conto não é do mais além, mas do mais aquém. As suas  personagens retratam-nos pessoas transformadas pelas aberrações daquilo que querem  representar. São elas mesmas que se converteram em grotescas, palavra que para o  dramaturgo Luigi Pirandello reflectia uma realidade entre cómica e trágica, a do  próprio teatro da realidade.

 

Da mesma forma, Susana lembra-nos os escritos de Rabelais para nos  aproximar das suas personagens como se elas convivessem connosco, com os seus  gestos ridículos, altivos ou absurdos. Essa confusão de realidade e fantasia com que  Rabelais retrata a sociedade do seu tempo - em que trata os temas entre o  grosseiro/grotesco e a crueza da vida quotidiana: a guerra, o império, a educação, a  fome, a seca, o matrimónio, a ciência, as justiça... - tem como intenção desmascarar,  com a máscara, as contradições que nos rodeiam. Que melhor do que o riso como  indulgência para sair das suas ameaças? Como dizia Rabelais “É melhor escrever de  risos do que de lágrimas, já que rir é próprio do homem”.

 

Susana veste as suas personagens com cores, no excesso de representação de  si próprios como a moda faz diariamente connosco, como se participássemos numa  função teatral da realidade. Os seus rostos transformam-se em símbolos zoomorfos ou  formas perplexas da própria imagem distorcida e cretina do que acreditam ser, ou  convertem-se no próprio papel que querem representar. Assim, vemos a personagem  que combina o diplomata e o militar, vestida de fraque condecorado, com focinho de asno, junto a outra com máscara de gás que procura não se asfixiar com os próprios  peidos, ou esse senhor altivo de ar patriarcal com cabeça de porco, como um pai porco, e muitos outros. Juntos bailam a dança das suas aberrações, fazendo girar a  máquina de feira que eles próprios construíram para que o mundo não deixe de dar  voltas sobre si mesmo num círculo vicioso."

 

Susana Figueira

África do Sul : 1976

 

Estudou Belas Artes em Valência e Funchal onde conclui a licenciatura em Artes Plásticas/Pintura em 2000 no Departamento de Arte e Design/UMA. Em 2005 conclui o Diploma de Estudios Avanzados (DEA) na Facultad de Bellas Artes de San Carlos/UPV, Espanha. Obtem uma bolsa de mobilidade pelo MECD, Espanha (2003). Entre 1997 e 2008 tem vindo a realizar diversas exposições coletivas em Portugal e no estrangeiro. É lhe  atribuído o 1º prémio aquisição/ex-aequo Pintura, Casa das Mudas (1999). Desde 2000 inicia uma exploração cómico-grotesca patentes nas obras “tutto nel mondo é burla l´uomo é nato burlone” (2002) ou com “mundo às avessas” (2001), um tríptico que se apresenta fechado sendo os protagonistas de estas portas dois seres burlescos que mostram o cu ao público. Em 2007 participa na coletiva “Ração para animais” no MAC Funchal, apresentando “Senhores de beijacu”, um mundo satirizado em denúncia social. Em 2009 apresenta “A dança dos corcundas”, na exposição coletiva “Linha de Partida”, comissariada por Alexandre Melo. Nesta escultura Susana lembra-nos os escritos de Rabelais para nos aproximar das suas personagens como se elas convivessem connosco, com os seus gestos ridículos, altivos ou absurdos. Essa confusão de realidade e fantasia com que Rabelais retrata a sociedade do seu tempo em que trata os temas entre o grosseiro/grotesco e a crueza da vida quotidiana.

SUSANA'S ARTWORK

'Freira xixi' acrylic painting, gold leaf on wood, fabric, crochet _ papier maché, , 126x100x100cm, 2015, 1200libras

'Enfiador de terços' acrylic painting, gold leaf on wood, fabric, crochet _ papier maché, 125x100x100cm, 2015

'Fodasno' acrylic painting, gold leaf on wood, fabric, crochet _ papier maché, 150x100x100

'Pau curto' acrylic painting, gold leaf on wood, fabric, crochet _ papier maché, 163x100x100cm, 2015

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